Apesar de ser conhecido pelo canal de mesmo nome, o que pouca gente sabe, é que o Panamá é um país de muita história e belezas naturais incríveis. Começamos nossa viagem na Cidade do Panamá, a mais cosmopolita da America Central e famosa pelo turismo de compras, uma vez que é uma zona franca e livre de impostos. A moeda local é o Balboa, porém, o Dólar é a moeda mais utilizada, sendo aceito em todos os lugares.
Considerada a “Miami do sul”, a cidade sofre grande influência americana. Possui quase 1.3 milhões de habitantes, um tráfego intenso e carros luxuosos em meio a ônibus públicos caindo aos pedaços. Enquanto a parte moderna da cidade possui prédios imponentes e grandes shoppings, sua parte histórica se mantém viva e preservada, gerando um grande contraste.
Nos hospedamos no Barú Lodge (www.barulodge.com), um hotel muito bacana e econômico localizado no bairro de El Carmen, a 10 minutos de carro do centro histórico. Em uma das tardes de sol escaldante, fomos há um dos lugares que não se pode deixar de visitar, a Eclusa de Miraflores, localizada no Canal do Panamá. Esta é a mais famosa das várias eclusas utilizadas para equalizar o desnível que há entre os oceanos e onde existe um centro para que visitantes conheçam sua história e funcionamento.
Neste canal, passam em média quarenta navios por dia e cada um paga, com 48 horas de antecedência, a quantia de U$ 104 mil para atravessar de um oceano para o outro, o que ainda assim, deve ser mais barato do que dar a volta nas Américas.
Outro local interessante para conhecer é a parte histórica chamada Panamá Viejo e Casco Antiguo, com construções coloniais e ruínas da época do famoso pirata Henry Morgan. Enquanto tomávamos uma cerveja local, sentados na Plaza De La Independencia, fomos abordados por um artista de rua que, em seguida, fez uma apresentação de capoeira com o seu grupo, animando o ambiente e fazendo com que nos sentíssemos praticamente na Bahia.
Nossa idéia inicial era sairmos da Cidade do Panamá e irmos em direção à Santa Catalina, povoado mais próximo da Ilha Coiba, localizada no Oceano Pacífico e que dizem ser ótima para mergulho. Esta é uma região pouco visitada e depois de pesquisarmos bastante, encontramos uma série de pessoas falando mal das opções de hospedagem, do lixo que estava por toda parte e da única operadora de mergulho local. Vimos algumas fotos que não nos inspiraram e então partimos direto para o Arquipélago de Bocas Del Toro, localizado no mar do caribe, quase na divisa com a Costa Rica.
A partir do aeroporto nacional da cidade saímos em um voo com capacidade para 30 pessoas da Air Panama em direção a Bocas, mais precisamente para a Ilha Colón, onde está o principal povoado do arquipélago.
Ao aterrissarmos na ilha, pegamos as mochilas e conhecemos Antônio, um garoto local que nos levou até a pousada mais próxima. Antônio tem 23 anos e trabalha no aeroporto de Bocas Del Toro desde os 15, onde faz de tudo. De guia turístico à segurança.
Na Ilha Colón é possível encontrar diversas opções de hospedagem, mas para quem procura sossego e um pouco mais de requinte, recomendamos as ilhas de Carenero e Bastimentos, localizadas a poucos minutos de barco.
Nossa primeira impressão de Bocas Del Toro não foi das melhores. Havia lixo por toda parte e, para onde olhávamos, barqueiros nos ofereciam passeios para as praias e ilhas da região. Outro fator que não nos agradou, é que toda a orla do povoado está tomada por construções do tipo palafita, que invadem o mar tornando impossível achar se quer um pedaço de praia.
Chegamos ao hotel e logo saímos para conhecer melhor o povoado. Paramos para uma cerveja no final de tarde no Bocas Bambu, um bar com um ambiente espetacular. Lá conhecemos Renato e Daniela, um casal de chilenos muito simpáticos com quem passamos quase todos nossos dias em Bocas.
Em nosso segundo dia em Colón, saímos no barco do capitão Timoteo, para a Ilha Zapatilla. Foi esta ilha que mudou nossa impressão em relação ao lugar. Passamos o dia fazendo snorkeling, aonde vimos uma grande quantidade de peixes e algumas lagostas. Por coincidência, o guarda responsável por esta ilha era irmão do nosso capitão e nos autorizou a voltar no dia seguinte para assar um peixe na praia, o que não aconteceu por conta do mal tempo.
Caminhando pelas ruas de Colón, é possível encontrar incontáveis agências de turismo vendendo os mais variados tipos de passeio, porém, o ideal mesmo é tratar diretamente com os capitães e donos dos barcos, podendo assim, conseguir um melhor preço.
Mesmo com um tempo instável, nos encantamos com Red Frog Beach, localizada na Ilha de Bastimentos. Ali é possível encontrar pequenas rãs vermelhas que dão nome à praia e um ambiente perfeito para descansar. Outros lugares muito procurados pelos turistas são a Bahia de Los Delfines e a Playa de las Estrellas, incluídas em quase todos os passeios oferecidos pelas agências de turismo locais. Para aqueles com mais tempo no arquipélago, existem outras opções de passeios como, por exemplo, a uma fazenda de chocolate ou a uma ilha habitada por indígenas. As demais praias, como Wizard e Bluff são ideais para surfe, com ondas fortes que impossibilitam um banho de mar.
Após dez dias, saímos em direção à Costa Rica tendo adorado o Panamá. Porém, é visível a necessidade de um maior investimento por parte do governo e uma maior conscientização das comunidades locais para a preservação das riquezas naturais do país e para seu crescimento sustentável.









